Você finalmente chega em casa.

A bolsa ainda está no ombro. O celular continua recebendo mensagens. A pia está cheia, a roupa espera para ser dobrada e alguém pergunta:

"O que tem para jantar?"

Você abre a geladeira.

Fica alguns segundos olhando para dentro, como se a resposta para o seu cansaço estivesse em alguma prateleira.

Não está.

Porque a decisão sobre o jantar não começou agora.

Ela começou quando você saiu de casa sem pensar no próprio café da manhã.

Quando respondeu e-mails enquanto almoçava.

Quando adiou a fome porque havia algo "mais importante" para fazer.

Quando passou o dia inteiro resolvendo a vida de todo mundo e deixou a sua para depois.

É nesse momento que muitas mulheres acreditam que o problema é falta de disciplina.

Mas, no consultório, eu vejo outra realidade.

Ninguém perde a constância às nove da noite.

A constância vai sendo desgastada ao longo do dia, cada vez que você precisa escolher entre cuidar de si ou atender mais uma demanda.

É por isso que eu nunca começo uma consulta perguntando apenas o que você come.

Quero entender como os seus dias acontecem.

Quero saber a que horas você acorda, quem depende de você, quanto tempo leva até o trabalho, onde faz suas refeições, o que acontece quando um imprevisto muda completamente seus planos.

Porque a sua rotina também faz parte do tratamento.

Um plano alimentar pode ser tecnicamente perfeito.

Mas, se ele não couber na sua vida, ele não será seguido.

E isso não significa que você falhou.

Significa que a estratégia não foi construída para a pessoa que você é.

Meu trabalho não é entregar um cardápio para uma vida ideal.

É desenhar estratégias para a vida real.

Para os dias em que a agenda atrasa.

Para as reuniões que se estendem.

Para o trânsito.

Para o cansaço.

Para os momentos em que cozinhar não será uma opção.

Quando a estratégia respeita a sua realidade, a alimentação deixa de ser uma batalha diária.

Ela passa a ocupar um lugar possível dentro da sua rotina.

Talvez você esteja procurando uma solução para a alimentação.

Mas o que realmente precisa é de alguém que olhe para a sua vida inteira antes de olhar para o seu prato.

É exatamente assim que começa o meu trabalho.

Dra. Débora Regina Lima | Nutricionista